Já devia ser umas três da madrugada a hora que Victor chegou no seu apartamento. Assim que abriu a porta ele escutou um barulho vindo da cozinha. Começou a andar com cuidado e passos fracos. Bem devagar e aos poucos ele começou a colocar seu corpo para dentro da cozinha.
— Oi Victor — Aquela voz doce que ele já conhecia de anos soou em meio dos barulhos.
— Ana? O que você ta fazendo aqui? — Ele se assusta ao vê-la.
— Briguei com meus pais, para variar um pouco. Aí eu saí nervosa de casa e vim para cá. — Ela ergue as sobrancelhas e contraí os lábios.
— De novo Ana? Aí só eu para te aguentar mesmo. — Victor sorri. Ela retribui.
Ele sai da cozinha, e vai até seu quarto para trocar de roupa.
— Onde você tava Victor?— Ana grita da cozinha para que ele pudesse escutar.
— Num encontro. — Sua voz fica cada vez mais perto.
— Num encontro? — ela franze o cenho — Como assim? Você nem me avisou.
— Preciso te avisar cada passo meu agora? — Diz ele dando de ombros finalmente chegando na cozinha de novo.
— Só achei que você me contava tudo — Seu tom de voz fica mais rígido.
— Eu ia te contar — Victor se preocupa ao ver que ela ficou irritada.
— E eu posso saber quem é ela? — Ana se aproxima dele.
— Por que? — ele solta uma risada — Tá com ciúmes Ana?
— Claro que não idiota. — faz uma pequena pausa — Apenas curiosidade.
— Não importa, nem vai rolar nada mesmo. — ele revira os olhos para cima — Não rolou clima.
— Eu conheço ela? — Ela fala ainda irritada.
— Você está com ciúmes.
— Não tô
— Tá sim Ana.
— Babaca, cala a boca. — Ela pega pedaço de pão que estava em cima da mesa e joga nele.
— Claro que você tá. — Gargalhadas saem de sua boca.
— Tá bom Victor, eu tô. Você é meu melhor amigo, claro que eu tô.
— Viu? — Victor a encara — É a Renatinha.
— O que? — Ana grita — Mas… Mas — ela aperta os olhos — Ai Victor, que gosto.
— Foi só um teste, não deu certo. Pronto, já passou.
— Até eu sou mais sexy que ela. — Ana estava com uma moletom bem mais folgados que ela, uma calça de malha, coque no cabelo e um chinelo de coelhinho. Comendo um pote de brigadeiro que achara quando chegou e um copo de coca-cola. Ela coloca a mão na cintura, passa a língua em sua boca, e começar a rir — Não sou?
Ele apenas a aprecia e mantem-se calado.
— Victor? Responde. — Ela volta a sua posição natural.
— Você é mais bonita que qualquer uma.
Ela sorri, corre em sua direção. Victor abre os braços. Ana aconchega-se em seu peito e ele a envolve.
— Desculpa ter vindo aqui sem avisar, eu precisava de você. — Ela diz com uma voz melancólica.
— Você sabe que eu te dei a chave para você vir aqui a qualquer hora. — Ele afasta a cabeça para poder seu rosto. — Podia ter me ligado que eu vinha antes. — Victor deposita um beijo em seu rosto — Vai dormir aqui né?
— Claro. — Ana sai de seus colo e estende os braços — Vem, vamos sentar no sofá.
Ana estava deitada no colo de Victor, e ele fazia carinho em seu cabelo. O silêncio já permanecera por quase uma hora.
— Por que não deu certo seu encontro? — Ela olha para cima.
— Posso ser sincero? — Victor abaixa a cabeça para poder enxerga-la.
— Sempre né? — Ana dá um meio sorriso.
— Porque… — Victor respira fundo — Tem certeza?
— Claro, fala logo idiota. — Seu coração começa a acelerar.
— Porque ela não era você. E com qualquer outra não vai dar certo, pelo mesmo motivo, — ele a olho fixamente nos olhos dela. — Nenhuma deles nunca vai ser você. — ele para. — E eu nunca vou poder me sentir feliz por inteiro, porque eu não posso te chamar de minha.
A respiração de Ana começa a ficar ofegante, seu coração parecia pular pelo boca, seu estomago começam a se contrair.
— E se eu te disse que você pode me chamar de sua? Que eu posso ser sua? Porque o meu coração já é seu.
Ele coloca a mão em seu pescoço, e com a outra faz carinho em seu rosto. Arruma a mexa solta de seu cabelo. Os seus olhos encontram os dela.
— Eu guardei isso por muito tempo. Eu te amo Ana. E eu não podia escutar coisa melhor.
— Eu te amo Victor.
Os lábios dele chegam ao dela de um forma delicada, as línguas se chocam formando uma sintonia entre eles.